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Então é natal

Postado por Ana C. |


Das notícias que todo ano se repetem, diferentes mas iguais, uma das que mais me prendia a atenção era a das crianças, nas janelas iluminadas, cantando músicas natalinas. Achava uma boniteza só, e imaginava como devia ser mágico ser uma dessas crianças, com uma janela só para si e centenas de pessoas assistindo. Coisas de criança do interior, que sonha como seria legal ser criança da capital mas que sabe que isso não é para ela, como deve ser legal andar de aeronave mesmo sabendo que isso nunca vai acontecer com a gente.
Se me tivessem dito que um dia eu viveria na capital, provavelmente não acreditaria. Se me tivessem dito que eu moraria praticamente ao lado desse prédio, iluminado cartão de natal, e poderia assistir tudo da minha janela, também não sei se acreditaria. Se me tivessem dito que, ó insondáveis caminhos da acústica, no meu apartamento o volume das canções das crianças seria infinitamente mais alto que na própria rua, acho que eu teria rido.
Se me tivessem dito que, e depois de um tempo vira rotina, eu cansaria de tanta boniteza – provável overdose de músicas natalinas? – eu acharia que essa sim era uma notícia impossível. Mas a gente cresce e descobre que sim, que é justamente das coisas mais improváveis que a vida é feita.

Mas a apresentação continua sendo bonitinha... de leve, é claro.

1 comentários:

Renan V. J. de Oliveira disse...

Eu gosto da sua fórmula. ahuehuae

Vc curte Arnaldo Jabor?