11:54

Diário de bordo nº 6

Postado por Ana C. |


Navegar é preciso, sonhar não.


“I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been lost in the morning
I don't know what it costs
I've been thinking about you
I've been thinking about you
When will you return?”


Depois que você partiu nenhum dia foi iluminado. Baixou uma claridade cinza sobre a cidade e as pessoas caminham pelas ruas, continuam fazendo suas coisas e vivendo suas vidas, como num sonho nublado e no sense.
Não preciso lhe dizer da inutilidade destes meus dias, de como o sonho escureceu. Cada dia mais dispersa, não consigo me concentrar em nenhum livro, sinto-me burra (uma doçura de burrice) e tenho medo de me embrutecer.
Hoje a novela vai acabar. Fico pensando quando é que a minha vida vai tomar ares de final de novela, tudo se encaixando e, lógico!, tudo dando certo. Não que tudo dê sempre errado mas é que as coisas demoram para acontecer e, sei que não devo, eu tenho pressa.
Sei que dizem que não há volta para quem escolheu o esquerdo, mas não sei viver sem esperar um enredo de ficção. Cheguei na vida com o coração cheio de poesia e moinhos de vento. E o coração extraviou. (Sabe lá o que é amar?) Ou vai ver só preciso que alguém me diga que as coisas darão certo, um dia.
Tenho tentado sobreviver da melhor maneira possível. Confesso que ontem eu chorei. Eu sei, eu sei. Mas é que essa vida miserável me doeu demais. Não agüentei. Mas foi bom, um descarrego na noite abafada. Acalmei. Só não sei até quando. O mundo é cão, Sebastião.
Mas de todo esse dia a dia que eu não quero para mim eu continuo pensando em você a cada instante. A vida vai se perdendo. Não tenho mergulhado em rios, não tenho andado na areia ao pôr do sol ou pelas ruas banhadas em luar. Não tenho feito coisas grandiosas e, das pequenas, acabo fazendo muitas que eu nem queria, vedada a saída. Mas de tudo, ainda é de você que eu sinto mais falta.
Acredita? Não tenho mais medo de alturas. Só quando eu lembro que eu tenho, mas tenho tentado não lembrar. (A tal roda da fortuna que gira muito rápido: “quando estamos em cima os demônios se soltam e afiam suas garras para nos esperar embaixo”. Do you remember?) Mas continuo com um pavor enorme de ratos. Talvez as coisas não mudem tanto assim, afinal.
Sei que é só uma fase, mas agora tenho certeza do que eu não quero para mim. O que deve ser um jeito muito bom de se afirmar aquilo que se quer. Mas...
Bem.
Isso é conversa para outro dia.

1 comentários:

Drika disse...

E a menina que tem medo de ratos um dia viu um futuro próximo num baralho de tarot...
A calma voltou, ou será que algo mais volta?
Bem.
Isso é convresa para outro dia.
Até.